sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Intervenção sobre África

Uma análise da diversidade no continente africano

Bolsistas:
Armando Magno
Gisele Gonçalves
Isabella Lucch
Produção de aluna do 6º ano
Lenon Augusto
Magaly Pereira
Rúbia Carla

Supervisor:
Herbert Timóteo

CONTEXTUALIZAÇÃO

A intervenção sobre a África foi feita na semana da Consciência Negra, momento em que os estudantes da EMPEP participavam de atividades que abordavam esse assunto.  Nessa semana, os alunos do 6º ano tiveram uma palestra com o professor de história do turno da manhã, Pedro Luiz, que abordou temas sobre o continente africano e sobre as relações entre negros e brancos na atualidade, no Brasil e no mundo. Além disso, os estudantes estudaram com a professora de Inglês da escola características culturais dos países africanos que falam inglês e, com a professora de Língua Portuguesa, a análise do texto escrito pelo professor Pedro Luiz no ano anterior: “Só porque sou preto”. Dessa maneira, nossa abordagem não foi feita a partir de um terreno desconhecido, pois os educandos já haviam tido acesso a informações sobre o objeto tratado, o que facilitou nossa abordagem, uma vez que nos pautamos nos conhecimentos prévios dos alunos para explorar alguns temas, no intuito de construir e desconstruir conceitos a respeito da África.

OBJETIVOS

Dentre os objetivos dos pibidianos para com as aulas e atividades ministradas estava o trabalho com os educandos objetivando romper com visões estereotipadas sobre a população africana. Nas atividades realizadas inicialmente percebemos discursos que indicam que na África há muita pobreza, doenças e macumba. Foi essencial nesse momento a fala dos pibidianos que objetivaram trabalhar todas essas questões, trazendo também informações variadas, sobretudo, no que diz respeito à cultura africana que é vasta. Foi meta dos bolsistas mostrar aos alunos que a África é um continente em que há contrastes entre pobres e ricos. Além disso, procuramos traçar um paralelo entre África e continente americano afim de que os estudantes entendessem como essas realidades são bem parecidas.

A principal característica do projeto do PIBID História é o trabalho em grupo, supervisores e bolsistas se unem para discutir e analisar as formas de contribuir com o projeto. Não foi diferente em relação ao planejamento das intervenções, os bolsistas se reuniram duas vezes para ver as possíveis abordagens sobre o tema e sua aplicação. Na primeira reunião foram decididos os temas que deveriam ser abordados e na segunda a ordem das aulas e dos exercícios.

PLANEJAMENTO E RELATO DA AULA
 
A primeira aula de caráter introdutório visava fazer com que os alunos expressassem seus conhecimentos sobre o continente africano. Para isso introduzimos um exercício no qual eles escreveriam suas impressões sobre a África. Num primeiro momento, pensamos em problematizar com os alunos uma visão de mundo trazida por eles com novos elementos, ressaltando os contrastes existentes no continente africano.

Primeiramente, introduzimos brevemente o tema que seria desenvolvido na aula e pedimos que os estudantes fizessem um exercício em que eles relatassem aquilo que já sabiam sobre o continente. Nosso objetivo com isso era sondar o conhecimento deles sobre o tema, bem como aproveitar o que traziam para nossa aula, para tornar o assunto mais próximo daquilo que eles relatassem. Em seguida, apresentamos um slide com vários pontos do continente africano, destacando lugares luxuosos, inclusive alguns que são cartões-postais de cidades, como o de Luanda, e outros pontos menos privilegiados, mostrando condições adversas, como o de casas bem rudimentares. Nesses slides, pegamos pontos localizados nas várias regiões da África, como países ao norte, no centro, ao sul do Saara, no extremo sul do continente, etc. Para tornar a explicação mais proveitosa, inserimos mapas do continente para os alunos identificarem os países aos quais estávamos nos referindo. O receio aqui era que apenas reforçássemos algo que apareceu em relatos, que a África era um país ou então que o continente teria características homogêneas, por isso buscamos separar as regiões e identificá-las claramente.

Após essa primeira exibição, nos concentramos em mostrar a variedade de aspectos culturais do continente africano como um todo. Com o vídeo Breve História da cultura africana, utilizamos algumas imagens que demonstravam a diversidade existente no continente, abordando o vestuário, comidas típicas e alimentos produzidos, tentando reforçar a pluralidade dentro da África. Os discentes demonstraram interesse no que estávamos exibindo e apresentaram demandas diferenciadas daquelas que havíamos pensado, o que nos mobilizou a pensar em novas estratégias para a segunda aula. Assim que exibimos as imagens sobre o continente africano, começamos a fazer algo parecido para a América do Sul e América Central, ou seja, destacando pontos privilegiados, associados com partes mais ricas, em contraste com situações degradantes, de miséria, como crianças se alimentando do lixo. Pretendíamos demonstrar que, embora a maioria da turma tenha conectado a ideia de África a um lugar pobre e em que as pessoas passavam fome, o continente revelava muitas outras coisas. Além disso, não é só lá que existe pobreza ou riqueza, mas em outros continentes ocorrem situações análogas.

Então, no segundo momento de nossa aula, tínhamos algumas opções para trabalhar com os estudantes dentro do tema de nossa aula, como moradia e copa do mundo, numa comparação com a realizada na África do Sul e aquela que será feita no Brasil em 2014 ou imagens sobre a religião e cultura. Privilegiamos cada uma de acordo com as perguntas que cada turma lançou a quem aplicou as oficinas. Numa turma, por exemplo, muitos alunos se interessaram pelo tema da AIDS, enquanto em outra foi  sobre a questão religiosa, da macumba, que os estudantes mais indagaram. Com isso observamos uma rica diferença existente entre as turmas de um mesmo ano, que, embora estudem assuntos comuns, conferem um sentido próprio para aquilo que veem, apreendendo de maneira diversa.

Na segunda aula, em algumas turmas, optamos por abordar dois temas: Religião e Copa do Mundo. Começamos a aula com um slide que explicava algumas  características das religiões africanas e afro-brasileiras e um vídeo intitulado "Tudo o que você sempre quis saber sobre a macumba, mas não tinha coragem de perguntar", no fim desses slides havia um pequeno exércicio que propunha a participação oral dos alunos.  Por último, iniciamos uma comparação entre a África do Sul e o Brasil no tocante a Copa do Mundo. Montamos uma apresentação que primeiramente comparasse a repartição do continente africano e a América Latina, exibimos outro vídeo que se tratava de uma reportagem sobre os problemas de desapropriação que a África do Sul enfrentou durante a Copa do Mundo de 2010. Logo em seguida apresentamos uma reportagem que tratava das desapropriações que aconteciam no Brasil devido à construção de obras para a Copa do Mundo de 2014.

No fim da atividade, eles desenvolveram um relato comparando as impressões iniciais com aquilo que haviam visto de novo sobre o continente africano, ou seja, queríamos que eles pensassem no que haviam dito inicialmente e no que conseguiram apreender com as aulas. Trabalhar diferentes pontos de vista sobre determinado assunto é uma forma proveitosa de contrapor o novo com o conhecimento prévio, fazendo com que, nesse embate, o estudante crie significações e dê novos sentidos para o que foi estudado.
RECURSOS
Para que a atividade ocorresse houve a necessidade de mobilizar alguns recursos da escola, como o computador, projetor e reprodução de textos e atividades no serviço de mecanografia. Além destes, foi feito um amplo levantamento de fontes audiovisuais sobre a temática. As referências utilizadas nas aulas serão listadas abaixo.

RESULTADOS ENCONTRADOS

Como dissemos anteriormente, foi pedido aos estudantes que escrevessem as suas impressões sobre a África, antes de desenvolvermos o assunto com eles. Alguns depoimentos mostram como estava o conhecimento sobre o continente africano, talvez motivado pelas representações trazidas pelos filmes e pela mídia, de uma forma geral e também pela história contada nos livros e nas aulas. Uma estudante da turma 6F escreveu: “Negros, escravos, elefante, pobreza, muita gente passando fome e sede”. Outro estudante, da turma 6B, escreveu: “Eu acho que lá as pessoas têm a cor da pele um pouco mais escura que a de nós, a Aids é predominante neste país, algumas pessoas são ricas e outras muito pobres, chegam a passar fome”. Nota-se neste depoimento uma confusão comum aos estudantes que é a de tratar a África como um país. Ressalte-se também a alusão à Aids, o que contribuiu para lançar expectativas na turma sobre o assunto. Alguns estudantes, trazendo o que ouviram na palestra do professor Pedro, escreveram: “Lá na África faz muito calor, fazendo com que as pessoas tenham cabelos curtos e a pele escura” (estudante da turma 6D). Outra estudante da mesma turma disse: “Os habitantes de lá têm o nariz mais largo, o cabelo mais crespo, e assim eles são por causa do lugar onde eles vivem. Se os africanos tivessem o cabelo liso, eles teriam várias feridas porque o calor aquece e o suor provocaria feridas”.

Após as intervenções, um novo texto foi pedido aos estudantes. Os depoimentos mostram uma apropriação interessante dos conteúdos abordados. Uma estudante da 6F escreveu: “Aprendi também que a África do Sul é um país e que a África do Norte é uma região... tirou um pouco da imagem que eu tinha, um lugar pobre onde só tinha tribos”. Outra escreveu: “Aprendi sobre a macumba, que é um estilo de dança tocada por uma pessoa que chama macumbeiro. Não gostei das condições que o governo deixa o povo na época da Copa”. Uma estudante da turma 6C, mostrando muita sensibilidade, deu o seguinte depoimento: “Elas na maioria são pobres, mas pobres de alimentos ou móveis ou água, luz, mas não pobres de alma, pois eles são ricos de beleza, de felicidade, pois se adaptaram com o que tinham e têm orgulho de ser quem são”. Finalmente, um depoimento de uma aluna da turma 6B mostra que os objetivos da intervenção foram alcançados. Ela escreveu: “Nem todo o continente africano é pobre e nem todo o continente é rico, é uma variedade de povos, religiões, classes sociais, animais, etc. A África nem é como a maioria das pessoas pensam e nem o que a mídia mostra!”

CONCLUSÃO

Acreditamos que a nossa intervenção proporcionou interações muito positivas. Apesar de alguns alunos mostrarem resistências em desconstruir visões preestabelecidas por suas vivências acerca das religiões de matriz africana, percebemos que a turma, isso inclui os alunos que se incomodaram com o tema, tiveram grande interesse pelo assunto. Também ficou claro a facilidade com que os estudantes passaram a compreende África como um continente diverso nos aspectos econômicos, sociais e culturais, bem como, na América central e Latina.

Notamos também como os alunos estão afinados com o processo de desapropriação que está ocorrendo nas capitais sedes da Copa do mundo de 2014. Esse é um tema ainda presente e bastante vivo, visto que, ele foi uma das grandes bandeiras das recentes manifestações de junho, das quais os alunos possuem grande interesse e as vivenciaram como sujeitos históricos. A última consideração a ser feita sobre essas intervenções é sobre a importância de se trabalhar os esses temas, pois são questões de grande potencial para estabelecer debates sobre esses assuntos que, frequentemente, não são valorizados nas práticas correntes do ensino de história.

REFERÊNCIAS DAS AULAS E DO TEXTO

Parte do contraste:

Parte de Religião;
Parte da Copa do mundo;

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